Compartilhando vivências, por Juliana Quevedo

Nossa história começa há seis anos, quando resolvemos encomendar um irmãozinho para nosso filho mais velho, Igor. Em dois meses descobri que estava grávida e até aí tudo normal. Fui fazer a primeira ecografia e quase desmaiei quando a doutora me disse: Parabéns mãezinha, são dois!

Puxa vida, levamos um susto, pois afinal nossa família estava aumentando, e muito.

Depois de termos nos acostumado com a ideia de que seriam dois, começaram os enjoos, o cansaço, o peso, foi uma gravidez bem difícil. A melhor parte foi quando eles começaram a mexer, é uma sensação maravilhosa, duas vidas ali dentro de mim, e aí me senti a mais honrada das mulheres em receber dois anjinhos de uma só vez.

Quando estava de 28 semanas, precisei ser internada pois a bolsa de um deles estava vazando e para que pudéssemos levar a gravidez a diante tive que fazer repouso. Não foi fácil ficar longe do meu filho mais velho, que na época tinha 3 anos. Depois de 15 dias, não foi mais possível segurar e no dia 11 de agosto ( dia dos pais ) nasceram os gêmeos: Cauã e Gabriel. Pelo pouco peso e por ainda não ter amadurecido o pulmão tiveram que ficar 1 mês na UTI neo natal. Então, pelos próximos 30 dias intermináveis, tivemos que nos despedirmos todos os dias de nossos bebês sem podermos levá-los para casa. No dia 11 de setembro eles receberam alta e finalmente pudemos reunir nossa família em casa.

Durante esse tempo na UTI eles tiveram parada respiratória e também pelo fato de serem prematuros, sabíamos que o desenvolvimento deles seria um pouco mais atrasado que de costume. Só começaram a engatinhar com 1 ano e caminharam com 1 ano e 7 meses. A fala ainda estava um pouco mais atrasada, mas sempre que conversávamos com pediatras nos diziam que estava tudo dentro do esperado. Mas, alguma coisa dentro de mim estava me avisando que não estava tudo certo. Eles não batiam palminhas, não mandavam beijo, não davam tchau, não brincavam como outras crianças…

Quando tinham 3 anos e 5 meses, resolvi levar em uma neuropediatra para tirar essa dúvida que estava martelando e que eu como mãe não tinha explicações. No consultório a neuro fez testes com eles e algumas perguntas para mim, e cada vez que ela me questionava e eu dizia que sim, aumentava o frio na barriga, pois eu sabia que o que ela tinha para me dizer não seria tão bom. Ao final dos testes, ela me perguntou se eu já tinha ouvido falar em autismo e quando ela disse isso era como se um buraco tivesse aberto ao meu redor, foi a pior sensação que já tive na vida. Eu respondi para ela que já tinha ouvido falar mas que não identificava meus filhos como autistas, pois na minha infinita ignorância, autista era aquela pessoa que fica distante de todos e se balançando. Ela então, com toda calma do mundo me explicou que não, que o autismo é um leque, variando entre os diferentes graus e com comportamentos e características diferentes entre eles. Dito isso, ela solicitou que fossem feitos alguns exames para descartar outras hipóteses, mas que ela identificava traços de autismo nos dois e que o melhor para mim naquele momento era a informação, a leitura sobre o assunto.

Naquela noite, como não consegui dormir, fui para a internet e comecei a ler tudo que encontrei sobre autismo, e em tudo que eu lia, identificava meus filhos. Foi uma dor difícil de lidar pois para todas as minha dúvidas eu encontrei a resposta, e ao mesmo tempo que tudo ficava mais claro, eu me culpava muito por não ter percebido antes, mas enfim, voltamos ao consultório e a neuro confirmou o diagnóstico já que os exames deram resultados normais e eu mesma, agora mais esclarecida sobre o assunto, consegui identificar meus dois filhos com autismo.

Além da dor que eu sentia, também tinha o fato de ajudar meu marido a compreender e aceitar que eles eram autistas, pois levou aproximadamente 6 meses para que ele pudesse superar esse choque inicial. Quando li o livro Mundo Singular, acabei identificando meu marido como autista também, e tudo ficou ainda mais claro.

Agora em agosto, Cauã e Gabriel completam 5 anos e estão muito mais tranquilos, fazem atendimento com fono, terapeuta ocupacional e frequentam a escolinha. Adoram as terapeutas, as fonos e as profes e nós também somos eternamente gratos a esses anjos que ajudam nossos filhos a ter uma vida melhor.

Não posso dizer que nossa vida é fácil, pois não é, a correria é muito grande, mas o fato de sabermos que estamos entendendo e ajudando eles nos deixa em paz com o coração.

 

Posso dizer sim, que somos muito felizes com nossos três guris. Eles nos ensinam todos os dias que a vida é maravilhosa e que para ser feliz não é preciso ter ou ser, mas apenas estar na presença de quem amamos. Eles nos fizeram pessoas melhores e seremos eternamente gratos por tê-los em nossa vida.20180623_081711-COLLAGE

Autor: Raquel Ely

Consultora em Educação Inclusiva e Especialista em Neurociências aplicada à Linguagem e à Aprendizagem. Diretora da ECEDE- Consultoria em Estratégias de Desenvolvimento.

10 pensamentos em “Compartilhando vivências, por Juliana Quevedo”

  1. Ju, eu me emocionei com a tua descrição em relação aos meninos. És uma verdadeira mãezona. Saiba que eles são verdadeiros anjos. Obrigada por confiá-los a nós s por compartilhar tanto amor!!! 💙

  2. Ju!
    Você não é só uma super mãe, você é o anjo abençoado que teus filhos escolheram porque sabiam que não haveria melhor mamãe para eles.
    Teu coração é tão grande, tão cheio de amor por teus pequenos que quem convive contigo pode perceber no teus olhos.
    Parabéns por ser essa mãe-maravilha! Te admiro muito!

  3. Juliana, parabéns por ter também um amor puro e sapeca (em dobro), é emocionante sua descrição, e cada conquista e entendimento vale a pena . Bjs e seguimos em frente.

  4. Foi uma ho ra pra mim Juliana conhecer o Kauã e a gabriel e fazer parte da história de vcs … eles sao muito fofos e amáveis… você é uma guerreira.

  5. Ju, você é um super exemplo de mãe dedicada, atenciosa e batalhadora!!Está sempre em busca das melhores alternativas para os seus pequenos! Parabéns pela sua linda família.
    Hérica Cruz-Emef Nova Esperança

  6. Que linda história… fico feliz por saber que meu filho estuda na mesma escolinha dos gêmeos!!! Emocionante!!!

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