Blog

Destaque

Assista a todas as palestras do 1° Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha!

No dia 12/09 realizamos  o 1° Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha, evento idealizado pelo UniTEA , com realização da CIC e da Universidade de Caxias do Sul. Aos que não conseguiram ingressos, segue abaixo o link para visualização completa do evento. Nosso agradecimento a todos que participaram conosco dessa noite tão especial, com as presenças do Dr. Alysson Muotri, Dr. Rudimar Riesgo, Dr. Lucas F. de Oliveira e Dra Cristina Conte. Muito obrigado!

Algumas fotos:

Destaque

UniTEA – o nosso propósito!

Nosso Movimento é apenas uma ação voluntária, não somos uma Instituição, tampouco temos um CNPJ ou qualquer fim lucrativo. Entretanto, o UniTEA faz parte de um propósito de vida. Um propósito como o de muitos outros pais e profissionais, que em suas trajetórias depararam-se com o Autismo. Dividimos aqui um pouco da nossa história e, diariamente, parte do nosso tempo no intuito de unirmos pessoas que se identificam com esse mesmo propósito: uma maior conscientização  em relação ao TEA.  Para tanto,  criamos os projetos Compartilhando Vivências – no qual abrimos o espaço deste site para que outros pais possam dividir  suas histórias com o Autismo;  o Apadrinhe uma Criança Autista (em fase de manutenção) – no qual colocamos em contato os profissionais que se disponibilizaram a ajudar e acolher pessoas com TEA; e o Grupo de Estudos – uma reunião entre pais e familiares/cuidadores para compartilhar informações referentes ao Autismo.  Essa é a contribuição que podemos dar. A conexão com o nosso propósito! Apesar do texto abaixo ser de 2016 e escrito diante de um outro contexto,  lendo-o novamente hoje pareceu-me atual e oportuno compartilhá-lo. Boa leitura!

Conecte-se com seu propósito, por Daniel M. Ely

Muitas pessoas utilizam-se do momento em que vivemos, da falta de confiança e crença em nossas instituições, país ou empresas, para justificar o seu desânimo frente a atual realidade. Por outro lado, outras nunca estiveram tão cientes, energizadas, entusiasmadas com o seu papel e atuação neste mesmo contexto. Por que existem, considerando-se um mesmo cenário, visões tão díspares ou antagônicas? O que um lado está visualizando que o outro não está? Será que a diferença está apenas na capacidade de visão ou no sentido que cada um dá para a sua realidade? Várias poderiam ser as respostas, porém a capacidade de conectar-se consigo mesmo e com o seu verdadeiro propósito nesta vida parece ser a grande explicação.

O cenário atual não deixa de ser uma oportunidade ideal para, além de nos conectar ao mundo, nos conectar a nós mesmos. Descobrirmos porque aqui estamos, o que nos energiza e nos desafia a entregarmos algo mais e como podemos, de alguma forma, sermos úteis aos que nos rodeiam e aos diferentes ambientes nos quais estamos inseridos é fundamental.

Estamos falando da descoberta e consciência de um propósito que justifique a nossa passagem por esta vida, as marcas, o legado e as lembranças que queremos deixar e, por elas, sermos lembrados.

O propósito é único, atemporal, individual e intransferível. Fornece um sentido para a nossa vida e para a forma como lidamos com a realidade ao nosso redor. Isso explica porque, em contextos idênticos, as respostas das pessoas são tão distintas. Há quem chore com a crise, entretanto existem os que nela visualizam infinitas oportunidades. Ainda há aqueles que se paralisam mediante o novo e a mudança, contudo existem os que desfrutam e surfam na onda do inesperado e do imprevisível.

No mundo organizacional não é diferente. Há quem viva cada dia, sem nenhum entusiasmo e esperando o anúncio do pior, porém existem os que se transformam e assim ajudam a transformar suas próprias empresas e/ou negócios.

Joey Reiman, em seu livro “Propósito”, nos oferece uma leitura inspiradora para diagnosticarmos o verdadeiro “ethos”, a essência de cada organização/negócio. Ele propõe que cada Empresa nunca fuja daquilo que realmente a distingue de todas as outras. Quando uma organização perde as suas raízes, perde também o seu propósito e o seu significado. Segundo Joey, é o propósito que irá sustentar a cultura nos tempos sombrios e a elevará nos tempos áureos. Em conjunto “ethos”, cultura e valores irão compor a “caixa preta” da estratégia. Fornecerão um sentido para a organização!

Sempre que nos distanciamos do nosso “ethos”, ou seja, de nossas raízes, de quem pensamos ser, do que nos diferencia, de nossa razão de existir, perdemos a lucidez do que nos move nesta vida.

Ficamos à deriva e aceitamos ou fazemos coisas que pouco sentido nos fazem e, obviamente, onde pouca ou mínima energia mobilizamos para alguma entrega ou dedicação diferenciada. Em uma situação extrema, entramos em um quadro de anomia, ou seja, da falta de propósito e assim passamos a viver em total descompasso com a realidade que nos cerca e, consequentemente, com nós mesmos.

Nos últimos anos muito se tem falado da necessidade, em função de todo o novo contexto de trabalho e de conectividade, de ressignificarmos o sentido do trabalho. Contudo, na verdade, precisamos, antes de mais nada, declararmos o nosso propósito.

O propósito não é um fim e sim o início de tudo, o nosso “ethos”, o que verdadeiramente trás o sentido para a nossa vida. Ele é a nossa obra maior!

O propósito está, via de regra, na intersecção daquilo que temos imenso prazer em fazer com o que realmente fazemos de forma única e diferenciada e, por fim, com algo que traga algum benefício para o coletivo ou para o contexto no qual estamos inseridos. Você já parou para pensar nisso? O que está no seu ponto de intersecção? Qual a clareza que você possui de seu propósito?

Quando encontramos esta resposta, passamos a seguir uma causa, somos chamados a algo maior (independentemente de onde estivermos e com quem estivermos). Quando temos a clareza de nosso propósito como empresa ou como indivíduo, nos conectamos de dentro para fora. Conseguimos facilmente identificar se uma determinada meta ou situação faz sentido. Eliminamos o que nos desvia desse foco, escolhemos “o que fazer” e “o como fazer” como resultantes de uma decisão anterior, ou seja, “o porque fazer”!

Não conecte-se apenas com as suas metas, sejam elas pessoais ou profissionais, conecte-se com o seu propósito e, assim, potencialize o melhor de você para consigo mesmo e para com o mundo!

Obviamente, a busca por essa resposta é bastante desafiadora! Algumas situações dificultam o entendimento e a definição clara de nosso propósito. Primeiramente, porque antes de tudo, somos convidados a sobreviver. Precisamos, na maioria dos casos, de um trabalho que nos possibilite avançarmos e suprirmos nossas necessidades. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer deveria, de alguma forma, estar conectado ou alinhado a um propósito. Não estando, estaremos perdendo um tempo precioso, ou seja, desorientados em nossa real direção e quem sabe já vivendo ou fazendo coisas em um estado automático de anomia.

Segundo, porque estamos rodeados por uma anomia coletiva e/ou organizacional. Não existe engajamento sem a conexão entre o propósito e os valores dos indivíduos para com a empresa e vice-versa. Pesquisas recentes mostram que apenas 25% dos funcionários estão altamente engajados com suas empresas (Pesquisa AON – Tendências Globais de Engajamento dos Funcionários 2016). Isso demonstra que a maioria de nossos amigos e colegas do dia-a-dia não são referenciais nesse sentido.

De forma não muito diferente, também podemos falar da anomia de nossas lideranças. Uma liderança com clareza do seu propósito auxilia, inclusive, os outros a encontrarem e executarem seus próprios propósitos. Esses líderes são fieis as suas crenças, transparentes, autênticos e, principalmente, apaixonados pelo que fazem. Quantos líderes com essas características você conhece em sua organização? Com certeza, não muitos. Temos sim, muitos e bons gestores em nossos quadros, mas ainda carecemos de um volume maior de líderes com propósito. Eles são imprescindíveis, inclusive, para ativar propósitos adormecidos ou ainda desconhecidos pelos membros de sua equipe.

Enfim, todos esses exemplos servem para demonstrar que ao “ativar” um propósito individual (seja o seu ou dos outros) e conectá-lo a algo maior ou coletivo, existirá uma liberação de energia capaz de movimentar montanhas. Não haverá mais justificativas, e sim certezas de que todos e quaisquer obstáculos que surjam serão transpostos e superados. Entregaremos o nosso melhor para que isso ocorra e ainda o faremos de forma prazerosa. Crise e momentos de dificuldade serão apenas palavras e expressões de motivação, e nunca o contrário.

Reflita e pense sobre isso! Talvez, você possa começar não deixando “a sua obra” em um segundo plano. Boa reflexão e uma excelente jornada!

Fontes referenciadas:

– Reiman, Joey. Propósito – Por que Ele Engaja Colaboradores, Constrói Marcas Fortes e Empresas Poderosas. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora HSM, 2013.

– Pesquisa – Tendências Globais de Engajamento dos Funcionários 2016. AON, 2016.

Destaque

Sobre inclusão e preconceito

O preconceito é algo que, infelizmente, ainda está por todos os lados. O preconceito não está apenas nas palavras ditas. Nas grandes agressões. Está, principalmente, no não verbal. Naquilo que não precisa de expressão oral. Nos olhares curiosos e piedosos de quem tenta disfarçar. É algo tão sutil e, ao mesmo tempo, tão visível aos olhos daqueles que amam verdadeira e profundamente os seus. É preciso despir-se de vaidades e grandes planos egóicos para tocar o coração de crianças neuroatípicas, ou ainda, pessoas especiais. Não no sentido que normalmente é atribuído a essa palavra, mas pelo sentimento mais profundo de amor e gratidão. Ser especial não está no fato de abrandar a maneira de referir-se às limitações que algumas configurações neurológicas impõem. Ser realmente especial está na capacidade de tocar o fundo da alma com um simples olhar. No entanto, para que isso ocorra, faz-se necessário que o interlocutor possua a habilidade enxergar muito além daquilo que os olhos podem ver. Faz-se necessário que este abandone o orgulho e vista-se de amor. Outro dia, ouvi alguém perguntar sobre a inclusão. Não sobre a inclusão que, num ato de “caridade” ou “esforço”, permite que nossos filhos ou entes queridos frequentem o mesmo ambiente escolar que foram preparados para os neurotípicos, sobre a inclusão de fato. E de atos! De atos de amor, compreensão e tolerância com a dificuldade alheia. Seja ela sensorial, motora, cognitiva ou qualquer outra. Então, vou responder a tal pergunta: sim, ainda falta muito! E falta muito mais para que haja o entendimento de que o caminho não está apenas nos cursos ou palestras. O conhecimento teórico é importante, sim. Mas não é tudo. O conhecimento teórico é mais um instrumento, uma ferramenta para que a  inclusão aconteça.  Seja na escola ou na sociedade. Porém, o essencial para que a verdadeira inclusão aconteça, é algo inato. Algo que está em nós: o amor.  A inclusão será mais do que uma  palavra bonita quando todos perceberem  que conviver com alguém especial significa aprender, muito mais do que ensinar.

Com todo o meu amor,

Raquel Ely

Destaque

Dia das Mães 2018

28/4 – Encontro mensal da AMA, às 14hs,  no Salão Paroquial da Igreja Santa Catarina. Nessa ocasião, houve maquiagem da Mary Kay e sorteio de tratamento estético entre as mães azuis que estiveram presentes, já em homenagem ao Dias das Mães. Os ítens foram carinhosamente doados pelas parceiras voluntárias UniTEA Dra. Denise Utzig e Psicóloga Neiva Theisen. Trabalhando juntos, vamos além!

 

IMG_5195 (1)

 

img_5230cropped-LOGO-cor-512x512px-1.png

Destaque

Amor “azul” sem fim…

Fazemos nossas as suas palavras, meu filho!!🙏🏼💙

Hoje, dia mundial de conscientização sobre o Autismo, não poderia de deixar de agradecer à pessoa mais especial na minha vida. Obrigado por tudo, Sophia. Saiba que não existe lugar no mundo capaz de me oferecer mais ensinamentos do que estar ao teu lado diariamente. Viver essa loucura que se chama vida pode ser difícil muitas vezes, mas aprendi contigo a sempre procurar o lado positivo dos fatos. Graças a ti, me transformei no que sou hoje. E não importa o que mais eu escreva, sempre vão faltar palavras para expressar minha gratidão por te ter na minha vida. Espero que um dia todos te enxerguem da mesma forma que eu o faço. O mano te ama muito!

Destaque

1° Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha – Inscrições Abertas!!

 

1° Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha – Ciência, saúde e educação juntas pelo Autismo!

Clique no link abaixo e garanta já a sua vaga!

https://www.ucs.br/site/eventos/1-seminario-sobre-autismo-da-serra-gaucha/

 

Palestrantes:

Dr. Alysson Muotri 

Dr. Muotri é graduado em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de Campinas e doutor em Genética  pela Universidade de São Paulo. Em 2002, iniciou seu pós-doutorado na área da neurociência e da biologia de células-tronco no Salk Institute como Pew Latin America Fellow. É professor na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, em San Diego. Suas pesquisas se concentram na modelagem de doenças neurológicas, como transtornos do espectro do autismo, utilizando células-tronco pluripotentes induzidas humanas. Seu laboratório desenvolveu várias técnicas para a cultivo de neurônios e de células da glia humanas visando pesquisas básicas como também ser utilizadas como plataformas para triagem de drogas.

Acesse o Link e veja a reportagem do Dr. Muotri no Programa Fantástico de 01/04/18.

Dr. Rudimar dos Santos Riesgo

Dr. Riesgo é neuropediatra e especialista em epilepsia e EEG pediátrico. Tem mestrado e doutorado em pediatria. Membro da International Child Neurology Association, da International Society for Autism Research e da Academia  Iberoamericana de Neuropediatria. Professor de Medicina do Departamento de Pediatria da UFRGS. É chefe  da Unidade de Neuropediatria do Hospital das Clínicas de Porto Alegre.

Prof. Dr. Lucas F. de Oliveira

Prof. Dr. Lucas de Oliveira possui bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas, mestrado e doutorado em Ciências Biológicas: Neurociências, pela UFRGS. É professor da Universidade de Caxias do Sul, atuando junto ao curso de Psicologia e coordena o curso de especialização em Neurociências Aplicadas à Linguagem e à Aprendizagem. Tem experiência em pesquisa na área de Farmacologia, com ênfase em Neuropsicofarmacologia. Atualmente trabalha com modelagem de processos mentais em sistemas de cognição artificial.

Mediadora:

Dra. Cristina Conte

Dra. Cristina Conte é graduada em Medicina pela Universidade de Caxias do Sul, especialista em psiquiatria pelo Hospital São Lucas  PUC-RS e ABP e especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência pelo HCPA/ UFRGS

Programação:

17h30min às 18h30min – Credenciamento e abertura eletrônica
18h30min as 18h55min – Solenidade de abertura
19h às 19h30 – Educação: Palestra com Prof. Dr. Lucas Oliveira
19h35 às 20h05 – Saúde: palestra com Dr. Rudimar dos Santos Riesgo
20h10 às 20h30 – Sessão de perguntas, com mediação da Dra. Cristina Conte
20h35 às 21h05min – Coffee break
21h10 às 21h55 – Ciência: Palestra com Dr. Alysson Muotri
22h às 22h25 – Sessão de perguntas, com mediação do Prof. Dr. Lucas
22h30 – Encerramento

Local: UCS Teatro

Investimento:

Estudantes, professores e monitores : R$ 25,00

Associadas CIC: R$35,00

Não associado à CIC (público em geral): R$ 50,00

Destaque

2 – É autismo, e agora?!

De repente, um mundo totalmente desconhecido se abriu diante dos nossos olhos. Porém, era preciso desbravá-lo para que pudéssemos seguir em frente, por mais difícil e desafiador que isso pudesse ser. Muitas informações novas apareciam na tela do computador, mas em todas elas havia algo em comum: a inexistência de uma cura para o Autismo. Mas, em qual delas acreditar? Por qual caminho deveríamos seguir? E quais seriam as terapias e tratamentos mais indicados, dentre tantas possibilidades de escolha? Todas essas respostas viriam com o tempo.

Quando uma família recebe um diagnóstico de autismo, não significa que todos irão reagir da mesma maneira. E conosco não foi diferente. Cada um escolheu a alternativa que lhe parecia mais acertada e, em contrapartida, menos arriscada para assimilar aquela nova realidade.

Ao mesmo tempo em que estávamos todos juntos naquela situação, as estradas que trilhávamos eram completamente distintas.

O que só fazia com que aquela realidade parecesse pior do que era de fato.

Alguns pais e familiares preferem não falar no assunto e, com isso, buscam um distanciamento desse universo, ignorando que fazem parte dele.  Outros, diferentemente, tentam fazer todo o trabalho de uma única vez e mergulham por completo no assunto. Acredito que não exista certo ou errado quando se trata desse sentimento tão íntimo. Não há como julgar a reação de cada pai ou mãe de crianças especiais quando, inesperadamente, deparam-se com a notícia de que seu filho terá um desenvolvimento diferente do que é neurotípico.

O mais provável é que todos, em sua condição humana, precisem de um tempo para reorganizarem-se emocionalmente. Afinal, como pais, passamos um longo período imaginando todos os feitos de nossa prole. Imagino que seja humanamente impossível ter nosso depósito de expectativas em relação aos nossos filhos esvaziado sem passar pelo sentimento de perda.  E é natural que seja dessa forma.

A direção que eu, como mãe, escolhi para seguir pode não ter sido a mais acertada naquele momento bastante confuso. Porém, foi o caminho que encontrei para lidar com a minha própria dor.

Investigar sobre as causas do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sobre quais as terapias mais recomendadas, ainda que essas informações fossem bastante difusas e oriundas das mais variadas fontes, ajudou a ocupar minhas tantas noites de insônia. Precisava sentir-me útil. E pesquisar sobre o assunto foi a maneira que escolhi para não me deixar dominar pelo sentimento de culpa, que era inevitável àquela época.

Vivia me perguntando o que eu havia feito de errado ou em qual momento teria falhado na minha missão de mãe, que era a de proteger e zelar por minha pequena Sophia. Teria sido a virose que ela teve pouco depois de nos mudarmos da Argentina para os Estados Unidos? Quem sabe, o uso demasiado de antibióticos por conta da infecção auditiva que manifestou-se aos 9 meses? Ou seria, ainda, uma reação à última vacinação? Esses e muitos outros questionamentos foram preenchendo e, por que não dizer, atormentando meus pensamentos naqueles dias.

Lembro de uma vez em que, falando com minha mãe ao telefone, cheguei a dizer que eu jamais poderia ser feliz enquanto não encontrasse uma alternativa para ajudar a minha filha. Entretanto, graças a Deus, jamais é tempo demais e aquele período de luto (que parecia interminável) finalmente passou. Como já disse anteriormente, era eu quem estava precisando de ajuda. E ela veio aos poucos, por meio das horas de estudo e dedicação ao programa Early Intervention, a step ahead (Intervenção precoce, um passo adiante – que irei relatar mais detalhadamente em outro momento) e, inicialmente, pelo carinho de uma mão amiga.

Um belo dia, recebi pelo correio uma encomenda do Brasil. Nossa! Quanta alegria ao abrir aquele pacote e ver que lá estava uma caixa recheada de livros sobre Autismo!. Li todos eles com atenção e percebi que, naquele mundo tão particular que estávamos conhecendo, havia um número incontável de outras famílias com suas diferentes histórias de luta e trajetórias com os mais variados desfechos. Talvez, minha comadre e amiga de longa data, Andréia B., até hoje nem saiba o quanto sou grata por aquele gesto de carinho e solidariedade, em um período de tantas dúvidas e apreensão.

Demorei a entender que não havia culpa pelo autismo da nossa filha. E que ela se desenvolveria a seu tempo, sendo nosso papel fundamental amá-la e estimulá-la em suas potencialidades.

Passamos por muitas experiências, exames e expectativas. Hoje sabemos que ela veio ao mundo para nos mostrar um caminho diferente, mas repleto de aprendizados e, acima de tudo, de muito amor! E foi esse sentimento que nos mobilizou a lutar por essa causa e, principalmente, que fez com que nascesse dentro nós a vontade de retribuir e de compartilhar aquilo que tivemos a oportunidade aprender.

Destaque

1 – O Diagnóstico

Em uma fria, mas ensolarada manhã do dia 02 de junho de 2012, na cidade de Rosario, Santa Fe, Argentina, nasceu nossa amada e muito esperada filha, Sophia Carolina. Ela veio ao mundo cheia de saúde e, teoricamente, tudo correu dentro do esperado até seu primeiro aniversário. Sophia fazia contato visual, interagia conosco e atendia prontamente quando a chamávamos pelo seu nome. Nossa princesa sentou-se aos seis meses, disse as primeiras palavrinhas aos nove e caminhou aos 12.

1-IMG_5104.jpg

Porém, alguns sinais do TEA começaram a surgir e, de certa forma, era melhor não tocarmos no assunto.

Até que nosso primogênito, Gabriel, então com 15 anos, teve coragem de mencionar a questão. Foi difícil para todos nós, cada um à sua maneira teve que lidar com o medo do desconhecido. Os sintomas e as manifestações de alteração no desenvolvimento intensificaram-se algumas semanas após a aplicação das vacinas de praxe para crianças da idade. Provavelmente, apenas uma infeliz coincidência, mas tive que relatá-la quando da consulta com a pediatra.

Morávamos nos Estados Unidos nessa época, estávamos em 2013. De repente, a Sophia parou de responder aos nossos chamados e passou a correr na ponta dos pés de um lado para o outro em frente a televisão. Ela também passou a acordar durante as noites chorando como se tivesse uma dor aguda. Nessas ocasiões, quase que diárias, colocávamos uma canção para acalmá-la e creio que jamais poderemos ouvi-la novamente sem relembrarmos das tantas madrugadas que passamos com essa trilha sonora.

Ao preencher o questionário prévio à consulta clínica de 14 meses, aproveitei para colocar nas observações todas as alterações de comportamento que havíamos notado desde a avaliação anterior, aos 12 meses. Apenas mais três perguntas complementares e, diante das respostas negativas, recebemos a notícia de que a Sophia era autista. Lembro que as lágrimas rolavam pelo meu rosto enquanto a médica nos explicava tudo o que a Sophia não faria, ao que, finalmente, acrescentou que eu não precisava chorar, pois 35% dos “nerds” das universidades americanas, segundo ela, tinham algum nível de autismo.

Três questionamentos e um formulário foram suficientes para que a pediatra nos desse todas as informações sobre as limitações e dificuldades na vida dos portadores de TEA, de uma única vez.   Incrível como, mesmo que meu coração soubesse que algo fora do previsto estava acontecendo, a notícia de um transtorno ainda sem cura e com causas desconhecidas teve um impacto avassalador para nós naquele momento. Mil perguntas e mais mil possíveis respostas dominaram meus pensamentos pelos dias, semanas e meses seguintes.

Nos dias posteriores, eu dormia e acordava na esperança de que tudo não passasse de um grande equívoco. No momento do diagnóstico é como se o chão,  todos os seus alicerces e certezas, construídos ao longo de uma vida, desaparecessem subitamente.

Não lembro exatamente do trajeto que fizemos até em casa naquela tarde, mas jamais esquecerei das sábias palavras do nosso filho do meio, Samuel, um menino de apenas 9 anos de idade. Ele dizia e repetia com convicção “Mãe, não chora! Ela (a pediatra) é apenas um ser humano e não conhece cem por cento da verdade, eu não aceito isso!”.

O fato é que eu não sabia, mas ele estava com a razão. E por muito tempo vi na minha filha apenas as dificuldades do autismo. Não lamento ou me culpo, pois foi necessário passar por esse processo de luto pelos sonhos roubados através daquelas duras palavras da pediatra. Passava as noites pesquisando sobre o tema para ver se, em algum artigo ou endereço, encontrava a tão sonhada pílula mágica da cura. Bobagem, ela estava dentro de mim e existe em cada um de nós! Precisávamos daquele milagre, eu principalmente, muito mais do que a Sophia.

Contudo, bastou desapegarmo-nos de inúmeras expectativas e de outros tantos ideais de felicidade que projetamos em nossos filhos e lá estava ela, a cura que vem do coração! Não, não foi fácil como em um passe de mágica, mas encontramos, ou melhor, reencontramos um caminho mais seguro e feliz para seguir, apesar das adversidades que, vez por outra, seguem desafiadoras.  Hoje, quatro anos e muitos avanços depois, entendemos que todas as experiências que tivemos com o TEA foram necessárias. Era preciso despertarmos para a aceitação, a busca do conhecimento e, consequentemente, para o aprendizado de vida que nosso anjo azul nos trouxe.

O amor e a alegria que sentimos a cada conquista, a cada nova palavra dita e a cada progresso da Sophia é algo indescritível. É um sentimento que nos preenche de tal forma, que nos faz acreditar em algo realmente Divino.

Porém, só conseguimos apreciar e usufruir desses momentos após enxergarmos que existia  uma criança antes do autismo.

Talvez esse tenha sido apenas um primeiro passo, mas de extrema importância para compreendermos que todos os caminhos que nos trouxeram até aqui foram essenciais.

Enfim, muitos outros passos foram dados para que chegássemos a esse momento tão especial em nossas vidas e para que pudéssemos iniciar o Movimento UniTEA, unidos pelo autismo! Entretanto, essa caminhada faz parte de uma longa história que,  aos poucos, iremos contar!

O futuro é o fim do Autismo, afirma Muotri

Leia na íntegra a entrevista do Cientista, que participou do 1º Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha, partilhando com nossa comunidade parte de seus conhecimentos e sua pesquisa mundialmente reconhecida sobre o TEA. Acesse o link abaixo:

http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2018/09/o-futuro-do-autismo-e-o-fim-do-autismo-projeta-neurocientista-10585090.html

Instituto e outros

Agradecemos a todos os que nos escreveram oferecendo apoio ou mesmo com dúvidas em relação ao funcionamento do Instituto UniTEA. Ainda temos muito trabalho a fazer e pedimos a compreensão de todos durante esse período de organização interna. Divulgaremos aqui no site e na nossa fanpage todas as informações a respeito do próximo encontro do Grupo de Estudos, previsto para Novembro, bem como, da Inauguração do Instituto, prevista para Março de 2019. Até lá, vocês podem nos enviar mensagens através do e’mail contato@unitea.com.br

Atenciosamente,

Fundadores UniTEA

Seminário sobre Autismo

Atenção! Os 750 ingressos para o Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha estão esgotados! Como ainda existem muitos pedidos, conseguimos com o apoio da UCS a transmissão online via YouTube!! O link será disponibilizado 30’ antes do início do evento. Também faremos a gravação de todas as palestras que serão posteriormente disponibilizadas na página do UniTEA.