Saúde 08.04.2019 voltar

Processamento Auditivo Central x TEA


“Ela tapa os ouvidos”

"Ele não responde, parece não ouvir”

Esse tipo de relato é comum no consultório, se deve na maioria das vezes a Desordem do Processamento Auditivo Central (DPAC) ou seja, a criança não tem problema na audição, mas sim uma dificuldade para interpretar os estímulos auditivos em seu Sistema Nervoso Central (SNC). Crianças com TEA tem dificuldade em processar o que estão ouvindo e executar comportamentos, precisamos ajuda-las a compreender o significado do que estão escutando. Em sua maioria elas não tem problemas de audição, mas parecem não escutar quando ignoram o que estamos falando. Precisam discriminar bem os sons detectados para conseguir executar comandos o que acaba sendo um dos pré-requisitos para fala.

Sabemos que as crianças com DPAC podem ter dificuldade em prestar atenção aos comandos prolongados, dificuldade para se concentrar quando há ruídos ou distrações no ambiente, atrapalha na identificação de onde este som está vindo, por exemplo. Mas não é só isso, essa condição também pode causar cansaço mental/esgotamento, já que a criança precisa se esforçar para entender o que escuta. Por isso, podem chorar e parecer irritadas “sem motivo” aparente.

As crianças com TEA tendem a usar adaptações e comportamentos para compensar o DPAC. Estas medidas serão diferentes dependendo do grau de sensibilidade e do número de diferentes sistemas sensoriais envolvidos. Por isso uma criança com sensibilidade auditiva pode sentar-se no meio do shopping e concentar-se profundamente no brinquedo ou cantar para disfarçar o ruído. Já outra criança, poderia cobrir as orelhas ou balançar-se para aliviar o stress. Prestar atenção no comportamento nos ajuda a identificar os ambientes que não lhe são favoráveis.

Saliento que o DPAC pode estar relacionado ao TEA como outras comorbidades, mas podemos ter o DPAC sem a presença do diagnóstico de TEA, para realizar a avaliação precisamos levar em conta o grau de comprometimento do TEA, pois a avaliação necessita de certo grau de linguagem expressiva e receptiva, atenção e cognição para compreender as tarefas.

 

Por: Franciele Michelon, fonoaudióloga e vice-presidente adminstrativa do UniTEA. 


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