voltar
02.10.2019
Caxias do Sul

II Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha: um novo caminho de entendimento

Evento reuniu um grande público nas dependências do UCS Teatro


No último dia 17 de setembro ocorreu nosso II Seminário sobre Autismo da Serra Gaúcha, nas instalações do Teatro da UCS. Estiveram presentes autoridades do Estado, do Município de Caxias do Sul, reitoria da Universidade de Caxias do Sul, empresários, profissionais da saúde e da educação, familiares, pais e mães de autistas e a comunidade em geral para prestigiar este grande evento. 

O Seminário contou com os seguintes palestrantes: Francisco Paiva Junior, jornalista e editor-chefe da Revista Autismo; a bióloga Dra. Graciela Pagnatari, sócia-fundadora, responsável técnica e diretora executiva da TISMOO; Dra. Patrícia Beltrão, neurocientista da USP e idealizadora do Projeto A Fada do Dente e, o neuropediatra Dr. Carlos Gadia, neurologista gaúcho e Diretor-Associado do Dan Marino Center do Nicklaus Children’s Hospital (EUA).

 

A primeira palestra foi ministrada por Paiva Junior que contou um pouco de sua história, de maneira bem humorada, e os principais sinais que seu filho Giovani, autista, hoje com 11 anos, apresentava nos primeiros anos de vida. Ele ressaltou o quanto é relevante o uso das evidências científicas para o tratamento do autismo e o quão isso é seguro como conhecimento para os pais. Alertou para o cuidado com as Fake News e a responsabilidade em compartilhar somente informações confiáveis sobre o tema. Ele apresentou o conteúdo que está sendo divulgado na Revista Autismo e  importância do engajamento dos pais, comunidade, escola e profissionais da saúde na intervenção das crianças autistas desde a descoberta do diagnóstico por meio de pareceres de qualidade. Além disso, trouxe uma novidade. A Tismoo está desenvolvendo uma start up de conteúdo chamada Tismoo.me, uma espécie de rede social do autismo. 

 

Em seguida, subiu ao palco a Dra. Graciela Pignatari que ministrou sobre a contribuição genética no Transtorno do Espectro Autista. Ela contou sobre a start up Tismoo que saiu da USP com o objetivo de fazer a medicina personalizada para melhorar a qualidade de vida dos autistas e seus familiares. Além disso, trouxe muitos dados importantes sobre o genoma e a questão epigenética. Tratou dos principais fatores de risco para ao autismo, desde a idade avançada dos pais até questões intrauterinas na formação do feto. Ela também apresentou dados estatísticos para o público sobre as comorbidades do autismo, a herdabilidade, alterações genéticas, etc. Finalizou sua participação demonstrando a importância dos exames genéticos para análise dos metabolizadores para cada indivíduo, sendo um norteador para o tratamento personalizado farmacológico, avaliação dos riscos de recorrência e a estratificação de pacientes. 

 

A terceira a palestrar foi a Dra. Patrícia Beltrão Braga, apresentando os estudos de seu laboratório. O carro-chefe do laboratório é o autismo, mas, também, estudam o Zika Vírus. Falou sobre a necessidade da continuidade das pesquisas em laboratório executadas dentro das universidades e o como é valioso o aperfeiçoamento de novos cientistas comprometidos com diversas questões, inclusive o autismo. A neurocientista contou sobre sua Instituição de pesquisa chamada Fada do Dente, um projeto que coleta a polpa da célula do dente de leite para a reprogramação celular, transformando-as em células-tronco que são diferenciadas em neurônios. Esse processo permitiu identificar diferenças biológicas nos neurônios com autismo, estudar seu funcionamento e, até mesmo, testar drogas. Com isso, se descobriu que há uma inflamação nos astrócitos, pertencentes às células nervosas, que pode ser uma das causas do autismo.  

 

Para fechar a noite o neurocientista gaúcho, Dr. Carlos Gadia, debateu a respeito dos mitos e verdades do autismo, quebrando os paradigmas ainda existentes em na sociedade e os resistentes padrões clínicos da pediatria que acreditam na narrativa de que “cada criança tem seu tempo”, resultando em diagnósticos e intervenções tardias. Além disso, expôs as principais abordagens científicas validadas para as terapias no tratamento do autismo. Ele indicou que o novo estudo de prevalência de autistas é ainda menos que 1 em cada 59 crianças. Além disso, salientou que não existe uma epidemia de autismo, nem mães “geladeiras” e “trabalhadeiras”, que elas nunca foram nem nunca serão a causa do autismo nas crianças, bem como o mercúrio e, muito menos, as vacinas causam o transtorno. Destacou a importância do engajamento dos pais e o quanto isso impacta no desenvolvimento dos autistas, o coaching parental é fundamental para que as crianças possam evoluir. 

 

Esperamos que o nosso II Seminário tenha contribuído para a divulgação e o esclarecimento das questões que permeiam a ciência, medicina, educação e cultura sobre o autismo. Agradecemos a presença de todos, aos nossos voluntários, colaboradores, parceiros, apoiadores e, também, pela confiança que nossos associados depositam em nosso trabalho. Obrigado aos nossos palestrantes pela disponibilidade e colaboração neste evento. Em 2020 tem mais! Até lá!



 

Imagem: Divulgação/UniTEA

Texto: Juliana Fonseca

 


Processando sua Doação